sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Informatização de Igrejas




Computador na igreja: Ferramenta de Deus ou do Diabo? Modismo ou necessidade?
Sempre que me deparo com questões desse tipo, vêm à minha mente as célebres querelas sobre rádio e televisão, no meio evangélico. Quem já não ouviu falar de episódios lamentáveis, em diversas partes do Brasil, nos quais crentes fiéis foram "disciplinados" pelo simples fato de terem em suas casas aparelhos de rádio ou, mais recentemente, de televisão? Passados não muitos anos, alguns dos promotores dessas exclusões usam esses mesmos veículos para anunciar o Evangelho e promover as festividades de suas igrejas!
Extremismos como esse, felizmente, estão passando para o folclore da ortodoxia ultraconservadora. Aos poucos, vão se constituindo exceções à regra comportamental predominante no meio evangélico contemporâneo. Ventos da racionalidade cristã que permeia as Santas Escrituras vão moderando os ânimos mais exaltados, indicando caminhos nos quais "puritanismo" e "mundanismo" são posturas ideológicas de minorias em extinção.
Afinal, não há mais tempo para o "coxear entre dois pensamentos"! A fé cristã exige posicionamento maduro e equilibrado ante a evolução da técnica e da ciência – ambas dadas por Deus à humanidade. Somos homens de Deus a serviço da expansão do Reino e nada devemos temer, exceto desagradar o Espírito que norteia nossas decisões!
O computador - a exemplo do rádio e da televisão - não é instrumento de Deus nem do Diabo; é, isto sim, uma poderosa ferramenta desenvolvida pelo homem que tanto pode ser usada a serviço do Bem como do Mal. Vejamos dois exemplos que ilustram essa verdade.
Os bicheiros de todo o Brasil, a máfia e o crime organizado em todo o mundo, usam mais o computador que as escolas e as universidades. Nesse caso, tem-se uma ferramenta posta a serviço do inferno e da morte.
Em oposição a essa vergonha universal, os computadores estão ajudando a salvar vidas, nos hospitais; a mitigar a fome, na agropecuária e na indústria; a sistematizar o saber, em laboratórios e salas de aula; enfim, a vencer as dificuldades diárias do homem, através da utilização dos chips nos automóveis, aviões, eletrodomésticos, semáforos, etc. Nisto, eu vejo a intervenção Divina em favor do bem estar do homem!
Entendo que a informatização das igrejas não é modismo, mas uma necessidade consagrada. Notadamente no aspecto organizacional, o computador é de extrema utilidade na igreja - como o é nas diversas organizações seculares. Desde as atividades administrativas corriqueiras (cadastro de igrejas e congregações; cadastro de membros e congregados; expediente de secretaria; controle de receita e despesas; controle de patrimônio; emissão de relatórios financeiros, em geral) até o controle das ações de evangelismo, missões, ensino e discipulado, além das atividades sociais, o uso do computador possibilita maior rapidez e melhoria na qualidade do trabalho (e, se corretamente utilizado, também pode reduzir custos operacionais, o que resulta em eficácia na administração eclesiástica).
Ademais, o desempenho pessoal do obreiro será melhorado na medida em que admitir e formar o hábito de uso do computador. O pastor não apenas pode consultar dados e informações da igreja através do vídeo ou da impressora, como também pode organizar sua agenda de compromissos diários utilizando os variados programas existentes no mercado. Em depoimento publicado pela Revista Seara (edição de maio/1997), o saudoso pastor Fernando Granjeiro (Presidente da AD em Roraima) destacou variados usos que fazia do computador, inclusive como uma forma de integrar sua igreja, pela Internet, no contexto de uma região de igrejas tão dispersas, em conseqüência do gigantismo territorial do norte brasileiro.
Hoje, após anos de uso diário do computador, este autor formou o hábito de ler e estudar a Santo Livro; elaborar estudos bíblicos; preparar aulas e palestras, sempre utilizando os recursos da multimídia. Os resultados têm sido mais satisfatórios que os anteriormente obtidos através da forma tradicional de trabalho (mesmo para um mediano conhecedor da computação).
Dentro em pouco, obreiros reacionários à informática estarão em dificuldades. As instituições governamentais, a sociedade em geral e a própria igreja exigirão mentes menos arcaicas.
Da mesma forma que não podemos admitir o pecado do mundo, não devemos desprezar o que de bom nele existe, sob pena de sermos réus do inexorável julgamento da história.


Pr. Gilson Oliveira, jun./98


Nenhum comentário:

Postar um comentário